Microchips e Semicondutores

Chips Quânticos na China: A Corrida pela Supremacia em Computação Quântica

A China investe bilhões em computação quântica e desenvolveu processadores quânticos competitivos. Análise do progresso chinês e implicações globais.

Matheus Feijão·OAB/SP · Google Cloud Certified·Março 2026

A China está travando uma corrida acirrada com os Estados Unidos pela supremacia em computação quântica. Com processadores como o Zuchongzhi ([supercondutores](/artigos/educacao-ciencia/materiais-avancados-china/)) e o [Jiuzhang](/artigos/educacao-ciencia/computacao-quantica-china/) (fotônico), a China já demonstrou vantagem quântica em tarefas específicas. O investimento chinês em computação quântica ultrapassa US$ 15 bilhões, com um laboratório nacional de informação quântica em Hefei que é o maior do mundo no setor.

Processadores quânticos chineses em destaque

O Zuchongzhi, desenvolvido pela equipe de Pan Jianwei na Universidade de Ciência e Tecnologia da China (USTC), é um processador quântico supercondutor de 176 qubits que alcançou vantagem quântica em tarefas de amostragem. O Jiuzhang, também da USTC, utiliza uma abordagem fotônica e demonstrou superioridade computacional em problemas de amostragem de bósons, completando em minutos cálculos que levariam bilhões de anos em supercomputadores clássicos.

Empresas chinesas como Origin Quantum (fabricante do Wukong), SpinQ e Baidu também estão desenvolvendo processadores quânticos. A Origin Quantum oferece acesso a seu computador quântico via nuvem, permitindo que pesquisadores chineses experimentem com algoritmos quânticos. A diversidade de abordagens — supercondutores, fotônica, íons aprisionados — reflete a amplitude do programa chinês.

As sanções americanas contra a China paradoxalmente aceleraram o desenvolvimento doméstico chinês em semicondutores. Em 2023, a China aumentou em 21% sua produção de circuitos integrados mesmo sob restrições severas. Para analistas brasileiros, esse fenômeno demonstra que dependência tecnológica externa cria vulnerabilidades estratégicas — argumento que deveria motivar pelo menos investimentos básicos em design de chips no Brasil.

Infraestrutura e investimento quântico

O Laboratório Nacional de Informação Quântica em Hefei, com investimento de mais de US$ 10 bilhões, é o maior centro de pesquisa quântica do mundo. A China também construiu a primeira rede de comunicação quântica de longa distância do mundo, conectando Pequim a [Xangai](/artigos/economia/bolsas-valores-china-shanghai/) com mais de 2.000 km de fibra óptica com distribuição de chaves quânticas (QKD).

O satélite Micius, lançado em 2016, realizou os primeiros experimentos de entrelaçamento quântico a longa distância via satélite e comunicação quântica intercontinental. Essas conquistas em comunicação quântica colocam a China na liderança global em infraestrutura quântica, uma vantagem que complementa o desenvolvimento de processadores.

Os números da indústria de semicondutores revelam a escala do desafio: a China investiu mais de US$ 150 bilhões através do Big Fund para criar autossuficiência em chips, enquanto o Brasil não possui sequer uma foundry comercial ativa após o fechamento da Ceitec. Essa lacuna tecnológica tem implicações diretas para a soberania digital brasileira, uma vez que praticamente todos os dispositivos eletrônicos utilizados no país dependem de chips importados.

O cenário brasileiro

O Brasil possui grupos de pesquisa em computação quântica em universidades como USP, UFRJ e UFMG, mas com orçamentos muito limitados. Não há fabricação de chips quânticos no país nem acesso significativo a hardware quântico além de plataformas em nuvem oferecidas por IBM e Amazon. A pesquisa brasileira foca principalmente em algoritmos e teoria.

O Plano Nacional de Internet das Coisas e estratégias de IA do governo brasileiro mencionam computação quântica superficialmente, sem investimentos dedicados ou metas concretas. Enquanto a China constrói laboratórios bilionários, o financiamento brasileiro para pesquisa quântica se resume a bolsas de pesquisa individuais e projetos isolados.

A perspectiva histórica mostra que a indústria de semicondutores chinesa percorreu em 20 anos um caminho que levou décadas para Japão, Coreia do Sul e Taiwan. A SMIC, fundada em 2000, já produz chips em 7 nm — uma proeza considerada impossível sem equipamentos EUV. Para o Brasil, a lição é que catching up tecnológico é possível, mas requer investimento sustentado e visão de longo prazo que transcenda ciclos políticos.

Lições para o Brasil

A lição mais importante é que computação quântica será uma tecnologia transformadora nas próximas décadas, e países que investirem agora terão vantagem estratégica. O Brasil não precisa fabricar processadores quânticos, mas deveria investir na formação de capital humano — físicos, engenheiros e programadores especializados em algoritmos quânticos.

A comunicação quântica, onde a China lidera, é particularmente relevante para o Brasil dado o tamanho do território e a necessidade de infraestrutura de comunicação segura. Investir em pesquisa de QKD e criptografia pós-quântica protegeria infraestruturas críticas brasileiras contra futuras ameaças de computadores quânticos capazes de quebrar criptografia convencional.

As sanções americanas contra a China paradoxalmente aceleraram o desenvolvimento doméstico chinês em semicondutores. Em 2023, a China aumentou em 21% sua produção de circuitos integrados mesmo sob restrições severas. Para analistas brasileiros, esse fenômeno demonstra que dependência tecnológica externa cria vulnerabilidades estratégicas — argumento que deveria motivar pelo menos investimentos básicos em design de chips no Brasil.

Dados e Estatísticas-Chave

| Indicador | China | Brasil | Mundo |

| --- | --- | --- | --- |

| Número de fábricas (fabs) | 44 em construção | 0 ativas | > 200 novas até 2030 |

| Patentes em semicondutores (2024) | 38.000 | 120 | 95.000 |

| Investimento estatal em chips | US$ 150 bi (Big Fund) | | US$ 400 bi |

| Importação anual de chips | US$ 350 bi | US$ 8 bi | N/A |

| STEM graduados/ano | 4,9 milhões | 580 mil | 12 milhões |

Análise do Especialista

Para o setor bancário e financeiro brasileiro, a dependência total de semicondutores importados representa um risco operacional subestimado. Cada transação via Pix, cada operação no mercado financeiro, cada decisão algorítmica depende de chips fabricados no exterior. A China entendeu essa vulnerabilidade e está investindo trilhões para eliminá-la. O Brasil precisa ao menos mapear esse risco e criar mecanismos de mitigação.

Este tema — chips quânticos na china a corrida pela supremacia em computação quântica — ilustra como a compreensão aprofundada do modelo chinês é indispensável para profissionais brasileiros de direito, finanças e relações internacionais que buscam navegar a crescente complexidade das relações sino-brasileiras no século XXI.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Sobre o Autor

Matheus FeijãoOAB/SP · Google Cloud Certified. Pesquisador independente focado no sistema financeiro chinês, regulação bancária e tecnologia soberana.