A China está no meio da maior expansão de capacidade de fabricação de semicondutores da história. Com mais de 40 novas fábricas (fabs) em construção ou planejamento, o país está a caminho de se tornar o maior fabricante de chips do mundo em termos de capacidade total instalada até 2027, concentrando-se principalmente em nós maduros (28 nm e acima) que atendem à maior parte da demanda global.
Mapa das novas fábricas chinesas
As novas fabs estão distribuídas por toda a China: SMIC está expandindo em Xangai, Pequim, Shenzhen e Tianjin; a Hua Hong constrói uma mega-fab em Wuxi; a YMTC expande em Wuhan; e dezenas de fabricantes menores erguem instalações em Hefei, Chengdu, Nanjing e outras cidades. O ritmo de construção é impressionante — muitas fabs passam da fundação à produção em menos de dois anos.
A maioria dessas novas fábricas foca em chips de nós maduros: 28 nm, 40 nm, 65 nm e 90 nm. Esses chips podem parecer antigos pela perspectiva de smartphones de ponta, mas são os que movem a economia real: controladores automotivos, chips de potência, microcontroladores industriais, sensores e dispositivos IoT. Mais de 70% da demanda global de chips é atendida por nós de 28 nm e acima.
Impacto no mercado global de semicondutores
A expansão chinesa está gerando preocupação entre fabricantes estabelecidos como GlobalFoundries, UMC e até a própria TSMC em seus segmentos de chips maduros. Com subsídios governamentais permitindo preços abaixo do mercado, há temor de que a China inunde o mercado global com chips baratos, repetindo o que fez com painéis solares — destruindo concorrentes estrangeiros pelo preço.
A SEMI (Semiconductor Equipment and Materials International) projeta que a China adicionará mais capacidade de fabricação de chips do que qualquer outra região entre 2024 e 2027. Isso já está deprimindo preços em segmentos como chips de potência e microcontroladores, beneficiando compradores mas ameaçando a rentabilidade de fabricantes em outros países.
O cenário brasileiro
O Brasil não está no mapa global de expansão de fábricas de semicondutores. Enquanto EUA, Europa, Japão, Índia e até o Sudeste Asiático atraem investimentos em novas fabs, o Brasil não recebeu nem anunciou nenhum projeto de fábrica de chips. A ausência de infraestrutura específica, mão de obra treinada e incentivos dedicados torna o país pouco competitivo para esse tipo de investimento.
A expansão chinesa pode, no entanto, beneficiar o Brasil indiretamente: o excesso de oferta de chips maduros deve reduzir custos para a indústria eletrônica brasileira, incluindo montadoras em Manaus e fabricantes de equipamentos em todo o país. Chips mais baratos significam eletrônicos mais acessíveis para o consumidor brasileiro.
Lições para o Brasil
O ritmo de construção de fábricas na China — da aprovação à produção em menos de dois anos — contrasta com a morosidade regulatória brasileira. Se o Brasil quiser atrair qualquer tipo de investimento em semicondutores, precisa criar marcos regulatórios ágeis, licenciamento ambiental simplificado para indústrias limpas e garantia de fornecimento de energia e água.
A concentração em nós maduros é uma estratégia inteligente que o Brasil poderia emular: não tentar competir em chips de ponta, mas focar em semicondutores essenciais para indústrias onde o país tem força, como agro, energia e automotivo. Uma fab de 28 nm ou 40 nm, embora custosa, é muito mais viável que uma fábrica de ponta.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Quantas fábricas de chips a China está construindo?
A China tem mais de 40 novas fábricas de semicondutores em construção ou planejamento, tornando-se o país com a maior expansão de capacidade de fabricação de chips do mundo até 2027.
Que tipo de chips essas fábricas produzem?
A maioria produz chips em nós maduros (28 nm e acima), como microcontroladores, chips de potência, sensores e dispositivos IoT. Esses chips atendem mais de 70% da demanda global de semicondutores.
A expansão chinesa ameaça fabricantes estrangeiros?
Sim. Fabricantes como GlobalFoundries e UMC temem que chips chineses subsidiados inundem o mercado com preços abaixo do custo, similar ao que ocorreu com painéis solares chineses.
O Brasil pode atrair uma fábrica de chips?
Em teoria sim, mas o Brasil carece de infraestrutura específica, mão de obra treinada e incentivos competitivos com outros países. Criar condições para atrair uma fab exigiria uma política industrial dedicada e investimento em formação de capital humano.
Quanto custa construir uma fábrica de chips?
Uma fábrica de chips maduros (28 nm) custa de US$ 5 a 10 bilhões. Uma fab de ponta (3 nm ou inferior) pode custar mais de US$ 20 bilhões. A TSMC está investindo mais de US$ 65 bilhões em suas fábricas no Arizona.