A National Energy Administration (NEA) da China definiu as prioridades energéticas para 2025: acelerar renováveis, expandir o programa nuclear, reformar o mercado de eletricidade, investir em armazenamento de energia e manter a segurança do suprimento. Estas prioridades refletem a dualidade chinesa entre transição limpa e estabilidade econômica.
As cinco prioridades de 2025
A NEA definiu cinco prioridades: (1) instalação de mais de 200 GW de nova capacidade solar e eólica; (2) início de 8-10 novos reatores nucleares; (3) reforma do mercado de eletricidade para precificação mais eficiente; (4) expansão do armazenamento de energia para 50 GW; (5) manutenção de reservas estratégicas de carvão e gás para segurança.
A aparente contradição entre expandir renováveis e manter carvão reflete o pragmatismo chinês: a transição não pode comprometer a estabilidade do suprimento durante o processo. As usinas a carvão operam cada vez mais como backup e reserva de capacidade, com menor fator de utilização.
Reforma do mercado de eletricidade
A China está reformando seu mercado de eletricidade, historicamente baseado em tarifas reguladas, para incorporar elementos de mercado: leilões de energia, contratos bilaterais, mercado spot e precificação por tempo de uso. O objetivo é que os preços reflitam melhor o custo real de diferentes fontes e horários.
A reforma é crucial para viabilizar o armazenamento de energia e a resposta de demanda: sem preços variáveis, não há incentivo para consumidores e empresas ajustarem seu consumo. Províncias como Guangdong e Shandong lideram os pilotos de mercado spot.
O cenário brasileiro
O Brasil possui um mercado de eletricidade relativamente maduro, com leilões de geração, mercado livre e precificação por bandeiras tarifárias. No entanto, a regulação ainda é complexa e a abertura do mercado livre para consumidores menores avança lentamente.
As prioridades energéticas brasileiras em 2025 incluem a expansão solar e eólica, a conclusão de Angra 3, o marco regulatório para eólica offshore e hidrogênio verde, e a modernização da rede de transmissão. Há semelhanças com as prioridades chinesas, embora em escala muito menor.
Lições para o Brasil
A abordagem chinesa de definir prioridades energéticas anuais claras, com metas quantificáveis e responsáveis identificados, é um modelo de governança energética eficiente. O Brasil poderia se beneficiar de um "programa anual de prioridades energéticas" publicado pela EPE e MME.
A reforma chinesa do mercado de eletricidade, transitando de tarifas reguladas para mecanismos de mercado, espelha desafios que o Brasil enfrentou nas últimas décadas. A experiência brasileira com mercado livre e leilões pode até servir de referência para os reformadores chineses — uma via de cooperação bidirecional.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Quais são as prioridades energéticas da China em 2025?
As cinco prioridades são: instalar 200+ GW de solar e eólica, iniciar 8-10 reatores nucleares, reformar o mercado de eletricidade, expandir armazenamento para 50 GW e manter reservas estratégicas de carvão e gás.
A China ainda constrói usinas a carvão?
Sim, mas em ritmo decrescente e com função diferente. Novas usinas a carvão operam principalmente como reserva de capacidade e backup para renováveis, com fator de utilização cada vez menor. A prioridade é segurança de suprimento, não expansão.
O que é a reforma do mercado de eletricidade chinês?
A China está transitando de um sistema de tarifas reguladas pelo governo para um mercado com leilões, contratos bilaterais e mercado spot, onde os preços refletem oferta e demanda em tempo real. A reforma visa eficiência e integração de renováveis.
Quantos reatores nucleares a China planeja iniciar em 2025?
A NEA prevê o início da construção de 8 a 10 novos reatores nucleares em 2025, mantendo o ritmo acelerado de expansão nuclear. A maioria será do tipo Hualong One, o reator de terceira geração chinês.
O mercado de eletricidade brasileiro pode servir de modelo para a China?
Parcialmente sim. O Brasil tem experiência com leilões de energia, mercado livre e regulação de tarifas que a China está implementando. A cooperação bilateral em regulação energética pode ser mutuamente benéfica.