A China domina cada elo da cadeia produtiva de painéis solares: 97% dos wafers de silício, 85% das células solares e 75% dos módulos finais são produzidos no país. Essa concentração cria riscos para a segurança energética global e levanta questões sobre a dependência tecnológica na transição energética.
Domínio absoluto da cadeia de valor
A cadeia de valor solar tem quatro etapas principais: refino de silício policristalino, produção de wafers, fabricação de células e montagem de módulos. A China domina todas elas. O silício policristalino é produzido principalmente em Xinjiang e Sichuan, aproveitando energia elétrica barata. A Tongwei e a GCL-Poly são as maiores produtoras mundiais.
Os wafers de silício são quase totalmente produzidos na China (97%), com a LONGi e a TCL Zhonghuan como líderes. As células solares são fabricadas por dezenas de empresas chinesas que competem ferozmente em eficiência e custo. Os módulos são montados e exportados para o mundo todo.
Impacto nos preços globais
A escala de produção chinesa reduziu o preço dos módulos solares de US$ 2/W em 2010 para menos de US$ 0,10/W em 2024 — uma queda de 95%. Isso tornou a energia solar a fonte mais barata de nova geração em quase todo o mundo, acelerando a transição energética global.
No entanto, o excesso de capacidade produtiva (a China pode produzir mais de 1.000 GW/ano de módulos, mas a demanda global é de ~400 GW) está provocando uma guerra de preços que ameaça a viabilidade de fabricantes em outros países e até de empresas chinesas menores.
O cenário brasileiro
O Brasil importa virtualmente todos os seus painéis solares da China. Em 2023, foram importados mais de R$ 15 bilhões em equipamentos solares chineses. O país possui algumas fábricas de montagem de módulos (Canadian Solar em Sorocaba, BYD em Campinas), mas não produz wafers ou células.
A dependência total da China para painéis solares é um risco de segurança energética. Qualquer interrupção na cadeia de suprimentos — conflito geopolítico, sanções comerciais ou desastres naturais — afetaria diretamente a expansão solar brasileira.
Lições para o Brasil
Não é realista — nem necessário — que o Brasil replique toda a cadeia solar chinesa. Mas desenvolver capacidade em segmentos específicos (montagem de módulos com conteúdo local, inversores, rastreadores solares, sistemas de montagem) criaria valor e empregos. A produção de células solares de filme fino usando matérias-primas locais é uma possibilidade.
Diversificar fornecedores (incluindo Índia, Vietnã e Malásia, que estão desenvolvendo capacidade solar) e manter estoques estratégicos de componentes críticos são medidas prudentes que a experiência de concentração chinesa ensina.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Quanto da produção solar mundial vem da China?
A China produz 97% dos wafers de silício, 85% das células solares e 75% dos módulos fotovoltaicos do mundo. Controlando toda a cadeia de valor, desde o silício bruto até o painel final.
Por que os painéis solares ficaram tão baratos?
A escala massiva de produção chinesa, a competição intensa entre fabricantes, a automação das fábricas e a energia elétrica barata (hidrelétrica e carvão) reduziram os custos em 95% desde 2010, de US$ 2/W para menos de US$ 0,10/W.
O Brasil fabrica painéis solares?
O Brasil possui algumas fábricas de montagem de módulos (como a Canadian Solar em Sorocaba), mas não produz wafers ou células solares. A maior parte é importada da China, representando uma dependência quase total.
A concentração chinesa em solar é um risco?
Sim, a dependência de um único país para 80%+ da cadeia solar global é um risco geopolítico. EUA, UE e Índia estão tentando diversificar a produção, mas a vantagem de custo chinesa torna difícil competir.
Quanto o Brasil gasta importando painéis solares?
O Brasil importou mais de R$ 15 bilhões em equipamentos solares chineses em 2023. Este valor cresce a cada ano com a expansão da geração solar no país, representando uma significativa saída de divisas.