Wafers de silício são o substrato fundamental sobre o qual todos os chips são construídos. A China é o maior consumidor mundial de wafers, mas historicamente dependeu de fornecedores japoneses (Shin-Etsu, SUMCO) e alemães (Siltronic) para wafers de 300mm de alta pureza. Nos últimos anos, empresas chinesas como Zing Semiconductor e National Silicon Industry Group (NSIG) estão avançando rapidamente para fechar essa lacuna.

O mercado global de wafers e a posição da China

O mercado global de wafers de silício é dominado por cinco empresas: Shin-Etsu e SUMCO (Japão), Siltronic (Alemanha), SK Siltron (Coreia do Sul) e GlobalWafers (Taiwan), que juntas controlam mais de 90% do mercado de wafers de 300mm. A China consome cerca de 30% dos wafers globais, mas produz menos de 15% de sua demanda domesticamente.

Wafers de 300mm (12 polegadas) são o padrão da indústria para chips avançados e maduros em larga escala. A produção desses wafers com a pureza exigida (99,999999999% — onze noves) é um processo extremamente difícil que envolve crescimento de cristais Czochralski, corte, polishing e limpeza ultra-precisa. Cada wafer de 300mm pode produzir centenas de chips.

Os fabricantes chineses de wafers

A Zing Semiconductor, sediada em Xangai, e a NSIG (National Silicon Industry Group), com fábricas em várias cidades, são as líderes chinesas em wafers de 300mm. A Zing recebeu investimento de US$ 5 bilhões para construir uma das maiores fábricas de wafers da Ásia, com capacidade planejada de 600.000 wafers por mês.

A qualidade dos wafers chineses melhorou significativamente: NSIG e Zing já fornecem wafers de 300mm para fábricas de chips domésticas, incluindo a SMIC. No entanto, para os processos mais avançados (7 nm e abaixo), a uniformidade e a pureza dos wafers chineses ainda não alcançam os padrões de Shin-Etsu e SUMCO, que lideram com décadas de experiência.

O cenário brasileiro

O Brasil possui uma das maiores reservas de quartzo de alta pureza do mundo, matéria-prima fundamental para a produção de silício de grau eletrônico. No entanto, o país exporta quartzo bruto e importa wafers processados a preços muito maiores. Essa é uma das distorções mais evidentes da posição brasileira na cadeia de semicondutores.

A falta de processamento local de silício de grau eletrônico significa que o Brasil não captura o valor agregado dessa transformação. O quartzo brasileiro vale dezenas de dólares por tonelada; o silício policristalino para semicondutores vale milhares de dólares por quilo. Desenvolver essa capacidade de refino e processamento seria um passo concreto para inserir o Brasil na cadeia de semicondutores.

Lições para o Brasil

A estratégia chinesa de desenvolver produção doméstica de wafers demonstra como é essencial controlar os insumos básicos da cadeia de semicondutores. O Brasil, com suas reservas de quartzo, tem um ponto de partida natural que a China não possui — o quartzo chinês é de qualidade inferior ao brasileiro para aplicações de alta pureza.

Investir em refinamento de silício de grau eletrônico seria um primeiro passo lógico e relativamente acessível para o Brasil entrar na cadeia de semicondutores. Uma parceria com fabricantes japoneses ou europeus de wafers, combinando matéria-prima brasileira com tecnologia de processamento avançada, poderia criar uma indústria de wafers competitiva no país.

Perguntas Frequentes (FAQ)

O que são wafers de silício?

Wafers de silício são discos finos e ultra-puros de silício cristalino que servem como substrato para a fabricação de chips semicondutores. Os wafers de 300mm (12 polegadas) são o padrão atual da indústria para produção em larga escala.

A China produz seus próprios wafers?

A China produz menos de 15% dos wafers que consome. Empresas como Zing Semiconductor e NSIG estão expandindo rapidamente, mas a qualidade para processos mais avançados ainda está atrás dos líderes japoneses Shin-Etsu e SUMCO.

O Brasil tem silício para wafers?

O Brasil possui enormes reservas de quartzo de alta pureza, matéria-prima para silício eletrônico. No entanto, o país exporta quartzo bruto e não produz silício de grau eletrônico nem wafers de semicondutores, perdendo o enorme valor agregado dessa transformação.

Quanto custa um wafer de silício?

Um wafer de 300mm de alta qualidade custa entre US$ 100 e US$ 300 em branco. Após o processamento completo em uma fábrica de chips, o valor dos chips em um único wafer pode ultrapassar US$ 100.000, dependendo do tipo de chip.

Quem domina o mercado global de wafers?

Cinco empresas controlam mais de 90% do mercado de wafers de 300mm: Shin-Etsu e SUMCO (Japão), Siltronic (Alemanha), SK Siltron (Coreia do Sul) e GlobalWafers (Taiwan). A concentração é extrema e representa um risco para a cadeia global.