A China realizou uma das maiores expansões de cobertura de saúde da história: em pouco mais de uma década, passou de um sistema em que centenas de milhões não tinham seguro médico para uma cobertura quase universal de 95% da população. Ao mesmo tempo, o país emergiu como potência em biotecnologia, pesquisa médica e indústria farmacêutica.
A expansão da cobertura de saúde
Em 2003, menos de 30% da população chinesa tinha cobertura de saúde. A epidemia de SARS naquele ano expôs as fragilidades do sistema e impulsionou reformas massivas. Hoje, mais de 95% dos chineses possuem alguma forma de seguro de saúde, através de três programas principais: seguro de empregados urbanos, seguro de residentes urbanos e o novo sistema cooperativo médico rural.
O governo chinês investe mais de US$ 900 bilhões por ano em saúde, equivalente a cerca de 7% do PIB. Embora inferior aos EUA (18% do PIB), o investimento tem gerado resultados impressionantes: a expectativa de vida subiu de 68 anos em 1990 para 78 anos em 2024, e a mortalidade infantil caiu de 34 para menos de 5 por mil nascidos vivos.
Desafios e desigualdades
Apesar dos avanços, o sistema de saúde chinês enfrenta desafios significativos. A qualidade do atendimento varia enormemente entre hospitais urbanos de excelência e clínicas rurais precárias. Hospitais de nível terciário em cidades como Pequim e Xangai são modernos e equipados, mas postos de saúde rurais frequentemente carecem de profissionais qualificados e equipamentos básicos.
A violência contra profissionais de saúde é um problema grave: ataques a médicos em hospitais ocorrem regularmente, refletindo a frustração da população com longas esperas, custos elevados e a percepção de atendimento impessoal. O governo implementou medidas de segurança e reformas para melhorar as condições, mas o problema persiste.
O cenário brasileiro
O Brasil possui o SUS (Sistema Único de Saúde), que oferece cobertura universal e gratuita a mais de 200 milhões de pessoas. O SUS é um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo e realiza desde vacinação em massa até transplantes de órgãos complexos. No entanto, subfinanciamento crônico, longas filas e desigualdade de acesso são problemas persistentes.
A comparação com a China revela desafios similares: ambos os países lutam com a desigualdade entre áreas urbanas e rurais, com a necessidade de formar mais profissionais de saúde e com a crescente demanda de uma população envelhecida. O gasto brasileiro em saúde (cerca de 10% do PIB, incluindo público e privado) é superior ao chinês em proporção, mas a eficiência é questionável.
Lições para o Brasil
A velocidade com que a China expandiu a cobertura de saúde — de 30% para 95% em pouco mais de uma década — demonstra que reformas ambiciosas são possíveis com planejamento e investimento consistente. O Brasil deveria fortalecer o SUS com financiamento adequado, digitalização do sistema e valorização dos profissionais de saúde.
A aposta chinesa em biotecnologia e indústria farmacêutica nacional oferece lição importante: o Brasil depende de importações para mais de 90% dos princípios ativos farmacêuticos. Investir em uma indústria farmacêutica nacional robusta é questão de saúde pública e soberania nacional.
Perguntas Frequentes (FAQ)
A China tem sistema público de saúde?
Sim, a China possui um sistema de saúde que cobre mais de 95% da população através de três programas de seguro (empregados urbanos, residentes urbanos e cooperativo rural). Não é inteiramente gratuito — há copagamentos — mas oferece cobertura ampla.
A saúde na China é gratuita?
Não totalmente. O sistema envolve copagamentos que podem ser significativos para tratamentos complexos. Muitos chineses contratam seguros privados complementares. No entanto, o custo básico de atendimento é acessível para a maioria da população.
A China é avançada em biotecnologia?
Sim, a China é a segunda maior em pesquisa biomédica e farmacêutica, atrás apenas dos EUA. Empresas chinesas desenvolvem vacinas, terapias gênicas e medicamentos inovadores. A resposta à COVID-19 demonstrou a capacidade industrial farmacêutica chinesa.
O SUS brasileiro é melhor que o sistema chinês?
São diferentes. O SUS é totalmente gratuito no ponto de atendimento, enquanto o chinês tem copagamentos. O SUS oferece cobertura universal desde 1988, enquanto a China só atingiu isso recentemente. Ambos enfrentam desigualdade entre áreas urbanas e rurais.
A China exporta medicamentos para o Brasil?
Sim, a China é a principal fornecedora de princípios ativos farmacêuticos para a indústria brasileira. Mais de 90% dos insumos farmacêuticos utilizados no Brasil são importados, principalmente da China e Índia.