A China adotou uma posição única no mundo: proibiu criptomoedas e mineração de Bitcoin em 2021, mas simultaneamente investe massivamente em blockchain como infraestrutura tecnológica. A Blockchain Service Network (BSN), lançada pelo governo, é a maior rede de blockchain estatal do mundo, com aplicações em logística, finanças, governo digital e rastreabilidade de alimentos.
A estratégia blockchain chinesa
Em outubro de 2019, o presidente Xi Jinping declarou que a China deveria "aproveitar a oportunidade" oferecida pela tecnologia blockchain, catalisando investimentos massivos do setor público e privado. O governo distinguiu claramente entre criptomoedas especulativas (proibidas) e blockchain como tecnologia de infraestrutura (promovida).
A Blockchain Service Network (BSN), lançada em 2020, oferece infraestrutura blockchain como serviço para governos e empresas, reduzindo o custo de implementação em até 80%. A rede conecta mais de 30 cidades chinesas e permite que desenvolvedores criem aplicações descentralizadas usando múltiplos protocolos.
Aplicações práticas em operação
Nos tribunais chineses, o blockchain é utilizado para registrar evidências digitais legalmente válidas. O Internet Court de Hangzhou processa milhões de disputas online usando provas armazenadas em blockchain. Em logística, o Ant Group opera o AntChain para rastreamento de mercadorias no comércio internacional.
No setor financeiro, o blockchain é utilizado para emissão de faturas eletrônicas (mais de 50 milhões emitidas em Shenzhen), financiamento de cadeia de suprimentos e transferências interbancárias. A plataforma de blockchain judicial armazena mais de 10 bilhões de registros legais verificáveis.
O cenário brasileiro
O Brasil avança na adoção de blockchain principalmente através do Drex (Real Digital) do Banco Central, que utiliza tecnologia de registro distribuído para tokenização de ativos. O BNDES desenvolveu o BNDES Token para rastreamento de investimentos públicos, e a B3 experimenta blockchain para liquidação de ativos.
Diferentemente da China, o Brasil não proibiu criptomoedas e aprovou o Marco Legal das Criptomoedas em 2022. O Banco Central foi designado regulador do mercado de criptoativos, e exchanges como Mercado Bitcoin e Foxbit operam legalmente no país.
Lições para o Brasil
A abordagem chinesa de separar blockchain de criptomoedas demonstra que a tecnologia tem valor independente da especulação financeira. O Brasil pode se beneficiar de aplicações blockchain em áreas como registro de terras (problema crônico no país), rastreabilidade de commodities e transparência em licitações públicas.
O BNDES Token é um exemplo promissor que poderia ser expandido: usar blockchain para rastrear todo o ciclo de investimentos públicos, desde a aprovação até a execução, aumentando a transparência e reduzindo a corrupção. A tecnologia está madura para aplicações governamentais em escala.
Perguntas Frequentes (FAQ)
A China proibiu blockchain?
Não. A China proibiu criptomoedas e mineração de Bitcoin em 2021, mas investe massivamente em blockchain como tecnologia de infraestrutura. O governo opera a BSN, maior rede blockchain estatal do mundo.
O que é a BSN da China?
A Blockchain Service Network (BSN) é uma infraestrutura blockchain governamental lançada em 2020. Oferece blockchain como serviço para governos e empresas em mais de 30 cidades chinesas, reduzindo custos de implementação.
Para que a China usa blockchain?
Para registro de evidências judiciais, emissão de faturas eletrônicas, rastreabilidade de alimentos e mercadorias, financiamento de cadeia de suprimentos, transferências bancárias e serviços governamentais digitais.
O Brasil usa blockchain no governo?
Sim, em menor escala. O BNDES Token rastreia investimentos públicos, o Drex usa tecnologia distribuída para tokenização de ativos, e tribunais brasileiros começam a aceitar registros em blockchain como evidência.
Por que a China proibiu criptomoedas mas não blockchain?
O governo chinês considera criptomoedas descentralizadas uma ameaça ao controle monetário e à estabilidade financeira. Blockchain, por outro lado, pode ser controlado pelo Estado e oferece benefícios em eficiência, transparência e segurança de dados.