A Semiconductor Manufacturing International Corporation (SMIC) é a maior fabricante de chips da China e peça central na estratégia de autossuficiência em semicondutores do país. Fundada em 2000 por Richard Chang, ex-executivo da TSMC, a SMIC enfrenta o desafio de competir com rivais como TSMC e Samsung enquanto lida com severas restrições de acesso a equipamentos avançados de litografia impostas pelos Estados Unidos.
A evolução tecnológica da SMIC
A SMIC conseguiu avançar da produção em nós de 14 nm para processos de 7 nm utilizando litografia DUV (Deep Ultraviolet) da ASML, uma conquista impressionante dado que a maioria das foundries utiliza litografia EUV para esse nível de miniaturização. O chip Kirin 9000S, fabricado pela SMIC para a Huawei em 2023, demonstrou que a empresa consegue produzir processadores competitivos mesmo sem acesso às máquinas mais avançadas.
No entanto, a produção em 7 nm com DUV enfrenta limitações significativas de rendimento e custo. Estima-se que a taxa de aproveitamento (yield) da SMIC seja significativamente inferior à da TSMC, o que encarece a produção e limita a escala. A empresa continua investindo pesadamente em P&D para contornar essas limitações.
Investimentos e expansão de capacidade
A SMIC está em plena expansão, com novas fábricas sendo construídas em Xangai, Pequim, Shenzhen e Tianjin. O governo chinês tem fornecido subsídios bilionários através do National IC Fund (também chamado de Big Fund), que na sua terceira fase mobilizou mais de 340 bilhões de yuans para o setor de semicondutores. A SMIC é uma das principais beneficiárias desses recursos.
A empresa foca na expansão de capacidade em nós maduros (28 nm e acima), que representam a maior parte da demanda global para chips automotivos, IoT e eletrônica de consumo. Essa estratégia permite à SMIC ganhar participação de mercado em segmentos menos dependentes de tecnologia de ponta, enquanto avança gradualmente nos nós mais avançados.
O cenário brasileiro
O Brasil não possui nenhuma foundry de semicondutores em operação comercial. A CEITEC, estatal brasileira que chegou a fabricar chips RFID em Porto Alegre, foi desativada em 2020 após anos de dificuldades financeiras e tecnológicas. Essa realidade coloca o Brasil em total dependência de importações para todos os seus chips, desde microcontroladores simples até processadores avançados.
Enquanto a China investe centenas de bilhões de dólares em sua indústria de semicondutores, o orçamento brasileiro para o setor é praticamente inexistente. A diferença de escala de investimento torna improvável que o Brasil desenvolva uma indústria de fabricação de chips no curto prazo, mas nichos como design de chips e encapsulamento poderiam ser explorados.
Lições para o Brasil
O exemplo da SMIC mostra que construir uma indústria de fabricação de chips exige investimento contínuo de dezenas de bilhões de dólares, mão de obra altamente qualificada e apoio governamental de longo prazo. O Brasil não precisa replicar a estratégia chinesa em escala, mas poderia investir em nichos estratégicos como o design de circuitos integrados (fabless), aproveitando o talento de engenheiros brasileiros.
A formação de engenheiros especializados em microeletrônica é uma área onde o Brasil poderia avançar rapidamente. Universidades como USP, Unicamp e UFRGS já possuem grupos de pesquisa em semicondutores que poderiam ser fortalecidos com mais investimento, criando um pipeline de talentos para empresas de design de chips nacionais e internacionais.
Perguntas Frequentes (FAQ)
O que é a SMIC?
A SMIC (Semiconductor Manufacturing International Corporation) é a maior fabricante de chips da China, fundada em 2000 e sediada em Xangai. Ela produz chips para diversas empresas, incluindo Huawei, e é peça central na estratégia chinesa de autossuficiência em semicondutores.
A SMIC consegue fabricar chips avançados?
Sim, a SMIC demonstrou capacidade de fabricar chips em processo de 7 nm utilizando litografia DUV, como o Kirin 9000S da Huawei. No entanto, a produção enfrenta limitações de rendimento e custo em comparação com a TSMC, que utiliza litografia EUV.
Quais sanções afetam a SMIC?
Os EUA restringiram a venda de equipamentos avançados de litografia EUV para a SMIC e outras empresas chinesas, além de limitar o acesso a softwares de design (EDA) e componentes críticos. Essas sanções dificultam o avanço tecnológico da empresa.
O Brasil tem fábricas de chips?
Não. A CEITEC, única fabricante brasileira de chips, foi desativada em 2020. O Brasil depende integralmente de importações de semicondutores, sem nenhuma foundry comercial em operação no país.
Quanto a China investe em semicondutores?
O National IC Fund (Big Fund) da China mobilizou mais de 340 bilhões de yuans (cerca de US$ 47 bilhões) em sua terceira fase. Somando investimentos estaduais e privados, o total ultrapassa centenas de bilhões de dólares direcionados à indústria de semicondutores.