Em duas décadas, a China transformou radicalmente seu sistema de tratamento de água, passando de uma situação de crise com rios poluídos e abastecimento precário para uma rede de mais de 6.000 estações de tratamento que processam mais de 200 milhões de m³ de água por dia, cobrindo praticamente todas as áreas urbanas.
A transformação do saneamento chinês
Nos anos 2000, menos de 50% do esgoto urbano chinês recebia tratamento. Rios como o Huangpu em Xangai e o Hai em Tianjin estavam gravemente contaminados. O governo lançou sucessivos programas de investimento que elevaram a taxa de tratamento de esgoto urbano para mais de 97% em 2024.
A China construiu mais de 6.000 estações de tratamento de esgoto em duas décadas, a maior expansão de saneamento da história. O investimento acumulado supera US$ 300 bilhões, mobilizando recursos de governos locais, bancos de desenvolvimento e parceiros privados.
Cidades como Shenzhen alcançaram 100% de tratamento de esgoto e reúso de água, tornando-se referências globais. A tecnologia de biorreatores de membrana (MBR) foi amplamente adotada, permitindo qualidade de efluente superior aos padrões internacionais.
Tecnologias de tratamento avançado
A China adotou tecnologias como biorreatores de membrana (MBR), ozonização, carvão ativado e tratamento terciário em larga escala. Muitas estações são subterrâneas, com parques e áreas de lazer na superfície, integrando infraestrutura sanitária ao espaço urbano.
Sensores IoT monitoram a qualidade da água em tempo real em toda a rede de distribuição. A IA é utilizada para otimizar dosagem de químicos, prever picos de demanda e detectar vazamentos precocemente. A cidade de Suzhou possui um gêmeo digital completo de sua rede de água.
O cenário brasileiro
O Brasil trata menos de 50% do esgoto coletado, e cerca de 100 milhões de brasileiros não têm acesso a coleta de esgoto. O marco do saneamento (Lei 14.026/2020) estabeleceu a meta de universalização até 2033, mas o ritmo atual de investimentos é insuficiente para cumprir o prazo.
Rios urbanos brasileiros, como o Tietê em São Paulo e o Arrudas em Belo Horizonte, ainda sofrem com poluição severa. A diferença com a China é que o país asiático enfrentou problema similar e resolveu em duas décadas com investimento massivo e coordenado.
Lições para o Brasil
A experiência chinesa mostra que universalizar o saneamento em 20 anos é possível, mas requer investimento da ordem de dezenas de bilhões de dólares por ano e coordenação entre níveis de governo. O modelo de PPPs (parcerias público-privadas) utilizado na China para estações de tratamento poderia ser mais amplamente adotado no Brasil.
A tecnologia de estações de tratamento subterrâneas, que liberam espaço na superfície para parques urbanos, é especialmente relevante para cidades brasileiras densas. A cooperação técnica com empresas chinesas de saneamento poderia acelerar a universalização no Brasil.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Qual é a taxa de tratamento de esgoto na China?
A China trata mais de 97% do esgoto urbano coletado, tendo partido de menos de 50% nos anos 2000. A transformação envolveu a construção de mais de 6.000 estações de tratamento em duas décadas.
Quanto a China investiu em saneamento?
O investimento acumulado em saneamento na China supera US$ 300 bilhões, mobilizando recursos de governos locais, bancos de desenvolvimento e parcerias público-privadas.
O Brasil trata quanto do esgoto?
O Brasil trata menos de 50% do esgoto coletado, e cerca de 100 milhões de pessoas não têm acesso à coleta de esgoto. O marco do saneamento prevê universalização até 2033.
O que são estações de tratamento subterrâneas?
São estações construídas abaixo do nível do solo, com parques e áreas de lazer na superfície. A China adotou esse modelo amplamente em cidades densas, eliminando impacto visual e odores.
A China reusa água tratada?
Sim, cidades como Shenzhen e Pequim reutilizam grande parte da água tratada para irrigação, indústria e recarga de aquíferos. O reúso de água é parte fundamental da estratégia hídrica chinesa.