A China se comprometeu a atingir o pico de emissões de carbono antes de 2030 e alcançar a neutralidade carbônica até 2060. Estas metas, anunciadas pelo presidente Xi Jinping em 2020, representam o maior compromisso climático da história por um único país. O progresso até agora sugere que a China pode antecipar o pico de emissões.

As metas oficiais e o progresso

As metas de 1+N (um objetivo central + N políticas setoriais) incluem: 1.200 GW de capacidade solar e eólica até 2030, redução da intensidade de carbono em 65% comparada a 2005, aumento da participação de combustíveis não-fósseis para 25% do consumo primário de energia, e expansão das florestas para absorver 6 bilhões de toneladas de CO2.

O progresso é impressionante: a China já ultrapassa 1.300 GW de capacidade solar e eólica combinada — atingindo a meta de 2030 seis anos antes do prazo. A participação de renováveis na geração elétrica supera 30%. No entanto, o consumo de carvão ainda representa cerca de 55% do mix energético primário.

Desafios persistentes

Apesar dos avanços em renováveis, a China ainda é o maior consumidor de carvão do mundo, responsável por 52% do consumo global. Novas usinas a carvão continuam sendo aprovadas, embora em ritmo menor. A transição é complicada pela necessidade de manter o crescimento econômico e a estabilidade do emprego nas regiões carboníferas.

O armazenamento de energia em escala, a modernização da rede elétrica e a descarbonização da indústria pesada (siderurgia, cimento, petroquímica) são os maiores desafios para atingir a neutralidade carbônica até 2060. O hidrogênio verde e a captura de carbono serão essenciais.

O cenário brasileiro

O Brasil possui uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, com mais de 80% de fontes renováveis (hidrelétrica, eólica, solar e biomassa). No entanto, o desmatamento é a principal fonte de emissões brasileiras, representando quase metade do total. A NDC brasileira compromete-se com redução de 50% das emissões até 2030.

Diferente da China, onde o desafio é descarbonizar a geração elétrica e a indústria, no Brasil o maior desafio é combater o desmatamento e transformar o uso da terra. Em termos de energia, o Brasil já está à frente da China em participação renovável na matriz elétrica.

Lições para o Brasil

A abordagem chinesa de metas claras, quantificáveis e com cronograma definido pode servir de inspiração para o Brasil. O modelo "1+N" — um objetivo central desdobrado em políticas setoriais específicas — permite accountability e monitoramento de progresso.

O Brasil poderia adotar uma estratégia similar, com metas setoriais para transporte (eletrificação da frota), indústria (eficiência energética), agricultura (redução de emissões pecuárias) e uso da terra (desmatamento zero). A experiência chinesa mostra que ambição nas metas, quando acompanhada de políticas concretas, gera resultados.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Quando a China atingirá o pico de emissões?

A China se comprometeu a atingir o pico antes de 2030, mas analistas estimam que pode ocorrer entre 2025 e 2027, dado o ritmo acelerado de implantação de energias renováveis e a estagnação do crescimento do consumo de carvão.

O que significa neutralidade carbônica até 2060?

Significa que até 2060 a China pretende que suas emissões líquidas de CO2 sejam zero, ou seja, que todas as emissões restantes sejam compensadas por absorção (florestas, captura de carbono). Isso exigirá uma transformação completa do sistema energético.

A China ainda usa muito carvão?

Sim, o carvão ainda representa cerca de 55% do consumo energético primário da China e 60% da geração elétrica. No entanto, a participação está caindo gradualmente à medida que renováveis crescem mais rápido que a demanda total de energia.

A China já atingiu sua meta de 1.200 GW de renováveis?

Sim, a China ultrapassou a meta de 1.200 GW de capacidade solar e eólica combinada antes de 2025, seis anos antes do prazo de 2030. A nova meta informal é de 2.000 GW ou mais até 2030.

Como o Brasil se compara à China em emissões?

O Brasil emite cerca de 2,3 bilhões de toneladas de CO2 equivalente por ano, enquanto a China emite mais de 12 bilhões. No entanto, em emissões per capita, os dois países estão relativamente próximos. A diferença é que no Brasil o desmatamento é a principal fonte, enquanto na China é a energia.