A China produz mais de 40% dos eletrolisadores do mundo e planeja ser o maior produtor de hidrogênio verde até 2030. Com mais de 300 projetos anunciados e um plano nacional dedicado, o país está posicionando o hidrogênio como pilar da descarbonização da indústria pesada e do transporte.
O plano nacional de hidrogênio
Em março de 2022, a China lançou seu primeiro Plano de Desenvolvimento de Hidrogênio de Médio e Longo Prazo (2021-2035), estabelecendo metas ambiciosas: 50.000 veículos a hidrogênio até 2025, produção de 100.000 a 200.000 toneladas de hidrogênio verde por ano e desenvolvimento de uma cadeia de suprimentos completa de eletrolisadores.
Mais de 30 províncias chinesas publicaram planos locais de hidrogênio, com investimentos combinados superiores a US$ 30 bilhões. As cidades de Pequim, Xangai, Guangdong e Hebei lideram a implantação de projetos piloto em transporte público, logística e indústria.
Liderança em eletrolisadores
A China domina a fabricação de eletrolisadores alcalinos, que representam a tecnologia mais madura e barata para produção de hidrogênio verde. Os custos dos eletrolisadores chineses são 70-80% menores que os europeus, seguindo o padrão de redução de custos observado em painéis solares.
Empresas como LONGi Hydrogen, Peric e Sungrow estão expandindo rapidamente a capacidade de produção. A LONGi, originalmente fabricante de painéis solares, entrou no mercado de eletrolisadores e já é uma das maiores produtoras mundiais.
O cenário brasileiro
O Brasil tem enorme potencial para hidrogênio verde, graças à abundância de energia renovável (solar, eólica e hidrelétrica) e à localização estratégica para exportação à Europa. O Porto de Pecém (CE) está se posicionando como hub de hidrogênio verde, com projetos da Fortescue, EDP e outras empresas.
No entanto, o Brasil ainda não tem um plano nacional de hidrogênio com metas claras, e a cadeia de suprimentos de eletrolisadores é inexistente. A dependência de importações de equipamentos limita a competitividade.
Lições para o Brasil
A China demonstra que o hidrogênio verde requer planejamento integrado: metas claras, investimento em manufatura de eletrolisadores, infraestrutura de transporte e armazenamento, e demanda garantida através de mandatos de blending industrial. O Brasil deveria criar um marco regulatório específico para hidrogênio e investir na fabricação local de eletrolisadores.
A complementaridade é natural: o Brasil tem sol e vento abundantes para produzir hidrogênio verde barato, e a China tem a tecnologia de eletrolisadores. Uma parceria estratégica poderia beneficiar ambos os países.
Perguntas Frequentes (FAQ)
O que é hidrogênio verde?
Hidrogênio verde é produzido pela eletrólise da água usando energia renovável (solar, eólica, hidrelétrica). Diferente do hidrogênio cinza (feito de gás natural), não emite CO2 em sua produção e é considerado o combustível limpo do futuro.
Por que a China investe tanto em hidrogênio?
A China precisa descarbonizar setores difíceis como siderurgia, cimento, transporte pesado e petroquímica. O hidrogênio é a solução mais viável para esses setores. Além disso, a liderança em eletrolisadores cria uma vantagem industrial exportável.
O Brasil pode competir em hidrogênio verde?
O Brasil tem potencial para ser um dos maiores produtores mundiais de hidrogênio verde, graças à energia renovável abundante e barata. O Nordeste, com sol e vento excepcionais, está atraindo investimentos significativos em projetos de H2 verde.
Quanto custa o hidrogênio verde?
O custo do hidrogênio verde varia de US$ 2 a US$ 6 por kg, dependendo do custo da eletricidade e dos eletrolisadores. Eletrolisadores chineses, 70-80% mais baratos, estão reduzindo rapidamente esses custos.
Para que serve o hidrogênio verde?
O hidrogênio verde pode ser usado para descarbonizar indústrias pesadas (siderurgia, cimento), transporte pesado (caminhões, navios, aviões), armazenamento de energia e como matéria-prima para fertilizantes e produtos químicos.