A Usina de Três Gargantas, no rio Yangtze, é a maior hidrelétrica do mundo com 22,5 GW de capacidade instalada. Inaugurada em 2006 após 14 anos de construção, a obra monumental deslocou 1,4 milhão de pessoas e criou um reservatório de 660 km de extensão. Seu legado é complexo: marco da engenharia e símbolo de ambição, mas também de custos sociais e ambientais imensos.
Uma obra de proporções históricas
A Usina de Três Gargantas gera em média mais de 100 TWh de eletricidade por ano, equivalente a queimar 49 milhões de toneladas de carvão. Sua barragem tem 2.335 metros de comprimento e 185 metros de altura. O projeto custou mais de US$ 37 bilhões (em valores atualizados) e envolveu o trabalho de mais de 40.000 operários durante o pico da construção.
Além da geração de energia, a usina tem funções de controle de cheias — protegendo milhões de pessoas rio abaixo — e navegação, com eclusas que permitem a passagem de navios de até 10.000 toneladas. Antes da barragem, inundações no Yangtze matavam milhares de pessoas a cada década.
Impactos e controvérsias
A construção deslocou aproximadamente 1,4 milhão de pessoas, muitas das quais receberam compensação inadequada. Sítios arqueológicos e culturais de milhares de anos foram submersos. O impacto ambiental inclui alteração dos ecossistemas aquáticos, erosão a jusante e preocupações com a estabilidade geológica.
Apesar das controvérsias, a usina evita a emissão de aproximadamente 100 milhões de toneladas de CO2 por ano ao substituir termelétricas a carvão. A China aprendeu com os erros e aplica padrões ambientais e sociais mais rigorosos em novos projetos hidrelétricos.
O cenário brasileiro
O Brasil, que por décadas foi líder em energia hidrelétrica com Itaipu (14 GW), viu a China superar com folga na escala das barragens. A Usina de Belo Monte (11,2 GW) enfrentou controvérsias similares sobre deslocamento de comunidades indígenas e impactos ambientais, mas opera com fator de capacidade muito inferior ao projetado.
A experiência brasileira com Belo Monte e as dificuldades de licenciamento ambiental para novas hidrelétricas na Amazônia mostram que o modelo de grandes barragens enfrenta resistência crescente. O Brasil está se voltando para solar e eólica como alternativas.
Lições para o Brasil
A China demonstrou tanto o potencial quanto os riscos de megaprojetos hidrelétricos. A principal lição é que a energia hidrelétrica deve ser desenvolvida com padrões rigorosos de compensação social e mitigação ambiental. A China evoluiu nesse aspecto e hoje exige avaliações de impacto mais completas.
Para o Brasil, o futuro da energia hidrelétrica pode estar na modernização e repotenciação das usinas existentes, não na construção de novas grandes barragens. A complementaridade entre hidrelétrica, solar e eólica — usando os reservatórios como "baterias naturais" — é uma estratégia que tanto China quanto Brasil podem explorar.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Qual é a capacidade da Usina de Três Gargantas?
A Usina de Três Gargantas possui 22,5 GW de capacidade instalada, com 32 turbinas geradoras. Produz em média mais de 100 TWh de eletricidade por ano, o suficiente para abastecer milhões de residências.
Quantas pessoas foram deslocadas por Três Gargantas?
Aproximadamente 1,4 milhão de pessoas foram deslocadas para a construção da usina e do reservatório. O processo de reassentamento foi criticado por organizações internacionais por compensações inadequadas.
Três Gargantas é maior que Itaipu?
Sim, em capacidade instalada: Três Gargantas tem 22,5 GW contra 14 GW de Itaipu. No entanto, Itaipu geralmente produz mais energia por ano (cerca de 80-90 TWh) porque tem fator de capacidade mais alto e funcionamento mais constante.
A China ainda constrói grandes hidrelétricas?
Sim, a China concluiu recentemente a Usina de Baihetan (16 GW), a segunda maior do mundo, e continua construindo outras grandes hidrelétricas. No entanto, o foco principal agora é solar e eólica, com hidrelétrica servindo como complemento e armazenamento.
Qual é o impacto ambiental de Três Gargantas?
Os impactos incluem alteração dos ecossistemas do rio Yangtze, extinção de espécies como o golfinho do Yangtze, erosão costeira a jusante, submersão de sítios culturais e risco de deslizamentos de terra nas margens do reservatório.