A China tornou-se o maior importador de gás natural liquefeito (GNL) do mundo em 2023, com mais de 70 milhões de toneladas importadas. O país construiu uma infraestrutura impressionante de terminais de regaseificação, gasodutos transcontinentais e armazenamento subterrâneo para garantir segurança energética na transição do carvão.
Infraestrutura de GNL
A China possui mais de 25 terminais de GNL em operação, com capacidade combinada superior a 130 milhões de toneladas por ano. Novos terminais estão em construção para atender a demanda crescente. Os terminais mais recentes utilizam tecnologia de armazenamento em tanques de 270.000 m³ — os maiores do mundo.
Além do GNL importado por navios, a China construiu gasodutos gigantescos: o gasoduto Força da Sibéria (Power of Siberia) traz gás russo, enquanto o gasoduto Central Asia-China importa da Turcomenistão, Uzbequistão e Cazaquistão. O gasoduto Força da Sibéria 2 está em negociação.
O papel do gás na transição energética
O gás natural é visto como "combustível de transição" na China: emite cerca de metade do CO2 do carvão e menos poluentes atmosféricos. O governo incentiva a substituição de carvão por gás no aquecimento urbano, na indústria e na geração pico de eletricidade.
No entanto, a China não quer ficar dependente de gás importado da mesma forma que depende de petróleo importado. Por isso, investe paralelamente em renováveis, nuclear e hidrogênio como soluções de longo prazo, tratando o gás como ponte temporária.
O cenário brasileiro
O Brasil possui reservas significativas de gás natural, principalmente no pré-sal, mas o aproveitamento é limitado pela falta de infraestrutura de processamento e distribuição. Grande parte do gás associado do pré-sal é reinjetada nos poços por falta de gasodutos para trazê-lo à costa.
O programa Novo Mercado de Gás, que visa abrir o mercado e reduzir o monopólio da Petrobras na comercialização, avança lentamente. A infraestrutura de GNL no Brasil inclui poucos terminais de regaseificação (Pecém, Bahia, Rio).
Lições para o Brasil
A China mostra que gás natural pode ser um acelerador da transição energética quando acompanhado de investimento em renováveis. Substituir carvão e diesel por gás reduz emissões no curto prazo, enquanto solar, eólica e nuclear crescem para substituir o próprio gás no longo prazo.
O Brasil deveria aproveitar seu gás do pré-sal de forma mais eficiente, investindo em gasodutos, terminais e mercado competitivo de gás. Ao mesmo tempo, deve evitar a armadilha de criar uma dependência de longo prazo em infraestrutura fóssil — a experiência chinesa sugere que o gás é uma ponte, não o destino.
Perguntas Frequentes (FAQ)
A China é o maior importador de GNL do mundo?
Sim, a China importou mais de 70 milhões de toneladas de GNL em 2023, tornando-se o maior importador mundial, superando o Japão. Os principais fornecedores são Austrália, Catar, EUA e Rússia.
Quantos terminais de GNL a China possui?
A China opera mais de 25 terminais de regaseificação de GNL ao longo de sua costa, com capacidade total superior a 130 milhões de toneladas por ano. Novos terminais continuam sendo construídos.
O que é o gasoduto Força da Sibéria?
É um gasoduto de 3.000 km que transporta gás natural da Rússia para a China, com capacidade de 38 bilhões de m³ por ano. Foi inaugurado em 2019 e representa uma diversificação do fornecimento energético chinês.
O Brasil tem muito gás natural?
O Brasil possui reservas significativas de gás natural, principalmente associado ao petróleo do pré-sal. No entanto, a falta de infraestrutura de processamento e transporte limita o aproveitamento, e grande parte é reinjetada nos poços.
O gás natural é limpo?
O gás natural emite cerca de metade do CO2 do carvão e significativamente menos poluentes atmosféricos. É considerado "combustível de transição", mas não é limpo no sentido absoluto — emissões de metano na extração e transporte são uma preocupação significativa.