Além da eólica offshore, a China pesquisa formas de aproveitar a energia dos oceanos: marés, ondas e gradientes térmicos (OTEC). Com mais de 18.000 km de litoral, o potencial é significativo, e a China está entre os líderes mundiais em pesquisa e desenvolvimento de energia oceânica.
Projetos de energia maremotriz
A China opera a maior usina maremotriz de prova de conceito na Ásia, na baía de Jiangxia (Zhejiang), com capacidade de 3,9 MW. Embora modesta, a usina opera desde 1980 e serviu como base para pesquisa. Novos projetos utilizam turbinas submersas que funcionam como moinhos de vento subaquáticos.
O programa nacional de energia oceânica, liderado pelo Ministério de Recursos Naturais, financia pesquisas em turbinas de maré, conversores de energia das ondas e sistemas OTEC. Centros de teste marinhos foram construídos em Zhejiang e Shandong para validar novas tecnologias.
Conversão de energia das ondas
Pesquisadores chineses desenvolveram vários tipos de conversores de energia das ondas (WEC), incluindo sistemas de boia, coluna oscilante e dispositivos submergíveis. A empresa chinesa Wavefront Technology testou conversores de ondas com capacidade de até 500 kW em condições reais no Mar da China.
Embora a energia oceânica ainda não seja competitiva em custo com solar e eólica, é altamente previsível (marés são previsíveis com anos de antecedência) e pode complementar fontes intermitentes. A China vê potencial para ilhas remotas e plataformas marítimas.
O cenário brasileiro
O Brasil possui mais de 7.000 km de litoral com potencial para energia oceânica. A COPPE/UFRJ pesquisa energia das ondas e desenvolveu protótipos como o sistema de colunas de água oscilante testado no Porto do Pecém (CE). No entanto, nenhum projeto comercial de energia oceânica existe no Brasil.
O potencial brasileiro é estimado em 87 GW para energia das ondas e 28 GW para correntes oceânicas, mas a tecnologia ainda está em fase de pesquisa. A falta de financiamento e de marco regulatório específico limita o desenvolvimento.
Lições para o Brasil
A abordagem chinesa de financiar pesquisa de longo prazo em energia oceânica, mesmo que não seja comercialmente viável hoje, garante posicionamento tecnológico para quando a tecnologia amadurecer. O Brasil deveria manter e ampliar programas de pesquisa em energia oceânica, especialmente na COPPE/UFRJ e em instituições do Nordeste.
A cooperação bilateral em energia oceânica — combinando a experiência brasileira em engenharia oceânica (Petrobras, offshore) com a capacidade chinesa de escalar tecnologias — poderia acelerar o desenvolvimento para ambos os países.
Perguntas Frequentes (FAQ)
O que é energia maremotriz?
É a energia gerada pelo movimento das marés (subida e descida do nível do mar). Turbinas subaquáticas ou barragens capturam esse movimento e o convertem em eletricidade. É previsível e constante, ao contrário de solar e eólica.
A China usa energia oceânica?
A China possui projetos de pesquisa e demonstração em energia maremotriz, das ondas e OTEC, mas nenhum em escala comercial. A usina maremotriz de Jiangxia (3,9 MW) é a maior da Ásia e opera desde 1980.
O Brasil pode gerar energia das ondas?
Sim, o Brasil possui potencial estimado de 87 GW para energia das ondas ao longo de seus 7.000 km de litoral. A COPPE/UFRJ desenvolveu protótipos, mas a tecnologia ainda não é competitiva em custo.
Energia oceânica é viável economicamente?
Ainda não, o custo da energia oceânica é 5-10 vezes maior que solar e eólica. No entanto, os custos estão diminuindo com pesquisa e desenvolvimento, e a previsibilidade das marés é uma vantagem significativa para a estabilidade da rede.
Qual é a diferença entre maremotriz e ondas?
Energia maremotriz aproveita o movimento vertical das marés (causado pela gravidade lunar), enquanto energia das ondas aproveita o movimento horizontal da superfície do mar (causado pelo vento). São fenômenos diferentes que requerem tecnologias distintas.