A China instalou mais capacidade eólica offshore em 2021 do que o restante do mundo em toda a história combinada. Com turbinas de 16 MW — as maiores do mundo — e parques eólicos de até 10 GW, o país transformou a energia eólica marítima de nicho europeu em indústria global.

A explosão eólica offshore chinesa

Em um único ano (2021), a China instalou 16,9 GW de capacidade eólica offshore — mais do que toda a capacidade acumulada do Reino Unido, que levou décadas para atingir 14 GW. Até 2024, a capacidade total offshore chinesa ultrapassou 40 GW, tornando o país líder absoluto no setor.

Empresas como Mingyang, CSSC Haizhuang, Goldwind e Envision fabricam turbinas de 16 MW ou mais, rivalizando com os tradicionais líderes europeus Vestas e Siemens Gamesa. A Mingyang desenvolveu uma turbina de 18 MW — a maior do mundo — com rotores de 260 metros de diâmetro.

Cadeia de suprimentos e custos

A China construiu uma cadeia de suprimentos completa para eólica offshore: fundações monopile, cabos submarinos, subestações offshore e navios de instalação especializados. Isso permitiu reduzir custos dramaticamente. O custo nivelado de energia (LCOE) para projetos offshore chineses caiu abaixo de US$ 50/MWh, competitivo com fontes fósseis.

Os estaleiros chineses produzem os maiores navios de instalação de turbinas do mundo, e a indústria siderúrgica fornece as enormes estruturas de fundação. Esta integração vertical é uma vantagem competitiva significativa.

O cenário brasileiro

O Brasil possui mais de 700 GW de potencial eólico offshore, especialmente ao longo da costa do Nordeste e do Sul. O IBAMA recebeu dezenas de pedidos de licenciamento para parques eólicos offshore, mas nenhum foi construído até 2025. A regulamentação específica para eólica offshore ainda está sendo desenvolvida.

O país tem experiência significativa em eólica onshore (com mais de 30 GW instalados), mas a transição para offshore requer infraestrutura portuária, navios especializados e cadeias de suprimentos que ainda não existem no Brasil.

Lições para o Brasil

A velocidade de implementação chinesa mostra que, com arcabouço regulatório claro e incentivos adequados, é possível desenvolver rapidamente a eólica offshore. O Brasil deveria priorizar a aprovação do marco legal, simplificar o licenciamento ambiental (sem reduzir rigor) e criar leilões específicos para eólica offshore.

A parceria com empresas chinesas para fornecimento de turbinas, navios de instalação e componentes poderia acelerar os primeiros projetos. Ao mesmo tempo, o Brasil deveria exigir conteúdo local progressivo para desenvolver uma cadeia de suprimentos nacional.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Qual é a capacidade eólica offshore da China?

A China ultrapassou 40 GW de capacidade eólica offshore instalada, tornando-se o maior mercado do mundo. Somente em 2021, foram instalados 16,9 GW, um recorde histórico que superou décadas de desenvolvimento europeu.

Quão grandes são as turbinas eólicas chinesas?

As maiores turbinas eólicas chinesas atingem 18 MW de potência (Mingyang), com rotores de 260 metros de diâmetro. São as maiores máquinas rotativas já construídas pela humanidade e cada uma pode alimentar mais de 20.000 residências.

O Brasil tem potencial para eólica offshore?

Sim, o Brasil possui um potencial estimado de mais de 700 GW para energia eólica offshore, especialmente na costa do Nordeste, onde os ventos são fortes e constantes. No entanto, nenhum parque eólico offshore foi construído até 2025 no país.

Quanto custa energia eólica offshore?

Na China, o custo nivelado caiu para menos de US$ 50/MWh, tornando-se competitivo com gás natural e carvão. A redução de custos foi possível graças à escala de produção, padronização e cadeia de suprimentos integrada.

Quais empresas chinesas fabricam turbinas eólicas?

As principais são Mingyang, Goldwind, CSSC Haizhuang e Envision. Juntas, dominam o mercado chinês e estão expandindo para mercados internacionais com turbinas de última geração de 14 a 18 MW.