Enquanto o Brasil é líder mundial em etanol de cana-de-açúcar, a China tem desenvolvido programas significativos de biocombustíveis a partir de milho, mandioca e resíduos agrícolas. A relação sino-brasileira no setor de biocombustíveis é um exemplo fascinante de complementaridade entre dois gigantes da bioenergia.

O programa de etanol chinês

A China implementou mandatos de mistura de etanol ao combustível em várias províncias, com meta (posteriormente flexibilizada) de E10 (10% de etanol na gasolina) em todo o país. A produção anual de etanol combustível ultrapassou 3 milhões de toneladas, utilizando principalmente milho como matéria-prima.

No entanto, a competição entre produção de alimentos e biocombustíveis levou a China a restringir o uso de milho para etanol e buscar alternativas: etanol celulósico a partir de palha de arroz e milho, biodiesel de óleos usados, e biogás a partir de resíduos agropecuários.

Biocombustíveis avançados

A China investe pesadamente em biocombustíveis de segunda geração (celulósicos) e terceira geração (algas). O país possui várias plantas piloto de etanol celulósico e pesquisa bioquerosene de aviação (SAF - Sustainable Aviation Fuel) como solução para descarbonizar a aviação.

A produção de biogás a partir de dejetos suínos e bovinos é uma prioridade, dado o enorme rebanho pecuário chinês. Mais de 100.000 biodigestores de grande porte estão em operação, gerando eletricidade e biofertilizante.

O cenário brasileiro

O Brasil é o segundo maior produtor de etanol do mundo (atrás dos EUA) e líder em etanol de cana-de-açúcar, com produção de mais de 30 bilhões de litros por ano. O programa de etanol brasileiro, iniciado nos anos 1970 (Proálcool), é referência mundial em bioenergia.

O RenovaBio, programa brasileiro de descarbonização de combustíveis, cria incentivos baseados na intensidade de carbono de cada produtor. A flexibilidade da frota brasileira (carros flex) é um ativo que a China não possui.

Lições para o Brasil

A experiência chinesa em biocombustíveis celulósicos e SAF oferece oportunidades de cooperação com o Brasil. A tecnologia chinesa de biodigestores poderia ser adaptada para processar vinhaça e resíduos da cana no Brasil, agregando valor à cadeia produtiva.

O Brasil poderia exportar tecnologia de etanol de cana para a China (que possui áreas de cultivo de cana no sul, como Guangxi) e importar tecnologia chinesa de etanol celulósico e biodigestores. A complementaridade é natural: o Brasil tem a matéria-prima, e a China tem escala de engenharia.

Perguntas Frequentes (FAQ)

A China produz etanol combustível?

Sim, a China produz mais de 3 milhões de toneladas de etanol combustível por ano, principalmente de milho. O país implementou mandatos de mistura de etanol em várias províncias, embora a meta nacional de E10 tenha sido flexibilizada.

O etanol chinês compete com alimentos?

Sim, essa é uma preocupação central. A China restringiu o uso de milho alimentar para etanol e passou a priorizar biocombustíveis de segunda geração (resíduos agrícolas) e terceira geração (algas) para evitar competição com a segurança alimentar.

O Brasil e a China cooperam em biocombustíveis?

Existem fóruns de cooperação bilateral sobre biocombustíveis, incluindo troca de experiências em etanol de cana, etanol celulósico e biodiesel. A complementaridade tecnológica torna a cooperação mutuamente benéfica.

O que são biocombustíveis de segunda geração?

São biocombustíveis produzidos a partir de resíduos agrícolas (palha, bagaço, cascas) em vez de alimentos. O etanol celulósico, feito da celulose das plantas, é o principal exemplo. Não compete com a produção de alimentos e aproveita resíduos.

O Brasil é líder em biocombustíveis?

Sim, o Brasil é líder mundial em etanol de cana-de-açúcar, com mais de 30 bilhões de litros produzidos por ano. O programa Proálcool, iniciado em 1975, é referência global em substituição de combustíveis fósseis por renováveis.