A China investiu massivamente em ciência oceânica, operando o submersível tripulado Fendouzhe que atingiu a Fossa das Marianas (10.909 metros), mantendo estações de pesquisa no Ártico e na Antártica, e construindo a maior frota de navios oceanográficos do mundo. A estratégia reflete interesses científicos, econômicos e geopolíticos nos oceanos.

Exploração de águas profundas

O submersível tripulado Fendouzhe ("Lutador") atingiu o ponto mais profundo dos oceanos — 10.909 metros na Fossa das Marianas — em novembro de 2020. Apenas quatro países (EUA, França, Japão e China) possuem submersíveis capazes de ultrapassar 6.000 metros. O predecessor Jiaolong já havia atingido 7.062 metros em 2012.

A China também opera veículos não tripulados (AUVs e ROVs) para exploração de recursos minerais no fundo do mar, incluindo nódulos polimetálicos e sulfetos hidrotermais. O país obteve contratos de exploração de minerais no leito oceânico internacional junto à Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos.

Presença polar e pesquisa climática

A China opera cinco estações de pesquisa na Antártica (Great Wall, Zhongshan, Kunlun, Taishan e a recém-construída na Ilha Inexpressível) e uma no Ártico (Yellow River, em Svalbard). O quebra-gelo Xuelong 2 (Dragão de Neve) é um dos mais modernos do mundo.

A pesquisa polar chinesa cobre glaciologia, biologia marinha, meteorologia e geologia. No Ártico, a China se declara "Estado Quase-Ártico" e busca influência sobre rotas de navegação e recursos que se tornarão acessíveis com o derretimento do gelo. Essa postura gera tensões com nações árticas tradicionais.

O cenário brasileiro

O Brasil possui extenso litoral (7.500 km) e a Amazônia Azul (área marítima equivalente ao território terrestre), mas a pesquisa oceanográfica é modesta comparada à chinesa. O navio oceanográfico Vital de Oliveira e a estação Comandante Ferraz na Antártica são as principais infraestruturas.

A Amazônia Azul contém recursos petrolíferos (pré-sal), minerais, biodiversidade e potencial energético enormes. No entanto, o investimento em ciência oceânica é insuficiente, e o Brasil corre o risco de não conhecer adequadamente seus próprios recursos marinhos.

Lições para o Brasil

A China demonstra que ciência oceânica é investimento estratégico: quem conhece os oceanos pode explorar seus recursos. O Brasil, com uma das maiores áreas marítimas do mundo, deveria investir significativamente mais em pesquisa oceanográfica e tecnologias submarinas.

A modernização da frota oceanográfica brasileira e a formação de mais oceanógrafos e engenheiros navais são prioridades. A cooperação com a China em tecnologias de exploração de águas profundas poderia beneficiar o Brasil na exploração sustentável do pré-sal e da biodiversidade marinha.

Perguntas Frequentes (FAQ)

A China tem submarino de pesquisa de grande profundidade?

Sim. O Fendouzhe atingiu 10.909 metros na Fossa das Marianas em 2020, e o Jiaolong alcançou 7.062 metros em 2012. A China é um dos poucos países com capacidade de exploração em águas ultra profundas.

A China pesquisa na Antártica?

Sim, opera cinco estações de pesquisa na Antártica (mais do que a maioria dos países). A pesquisa cobre glaciologia, biologia e geologia. O quebra-gelo Xuelong 2 é um dos mais modernos do mundo.

O Brasil pesquisa os oceanos adequadamente?

Insuficientemente. A Amazônia Azul é uma das maiores áreas marítimas do mundo, mas o investimento em pesquisa oceanográfica é limitado. O Brasil precisa conhecer melhor seus recursos marinhos.

O que é a Fossa das Marianas?

É o ponto mais profundo dos oceanos, com cerca de 11 mil metros, localizado no Pacífico ocidental. Apenas submersíveis especiais podem atingir essa profundidade, suportando pressão equivalente a 1.100 atmosferas.

Por que a China se interessa pelo Ártico?

Por razões econômicas (rotas de navegação mais curtas entre China e Europa), recursos naturais (petróleo, gás, minerais) e científicas (pesquisa climática). A China se autodeclara "Estado Quase-Ártico" apesar de não ter território na região.