O FAST (Five-hundred-meter Aperture Spherical Telescope), localizado na província de Guizhou, é o maior e mais sensível radiotelescópio do mundo, com 500 metros de diâmetro — o equivalente a 30 campos de futebol. Desde sua inauguração em 2016, o FAST já descobriu mais de 900 pulsares e está transformando a astronomia de rádio global.
O telescópio FAST
Construído em uma depressão natural de calcário em Guizhou, o FAST custou mais de 1,2 bilhão de yuans (US$ 180 milhões) e levou cinco anos para ser construído. Seu refletor de 500 metros de diâmetro é composto por 4.450 painéis de alumínio controláveis, que ajustam a forma da superfície para focar sinais de diferentes direções do céu.
O FAST é 2,5 vezes mais sensível que o antigo recordista, o telescópio de Arecibo em Porto Rico (que colapsou em 2020). Pode detectar sinais de rádio extremamente fracos de pulsares, galáxias distantes, hidrogênio neutro e potencialmente sinais de civilizações extraterrestres.
Descobertas científicas
Desde o início das operações científicas em 2020, o FAST descobriu mais de 900 pulsares — estrelas de nêutrons que giram rapidamente e emitem feixes de ondas de rádio. Algumas dessas descobertas incluem pulsares de milissegundo, sistemas binários e pulsares em ambientes extremos.
O FAST também mapeia hidrogênio neutro intergaláctico — o elemento mais abundante do universo — contribuindo para a compreensão da estrutura em grande escala do cosmos. O telescópio participa do programa SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence) e detectou rajadas rápidas de rádio (FRBs) de galáxias distantes.
O cenário brasileiro
O Brasil possui tradição em radioastronomia com o Rádio Observatório de Itapetinga (ROI) em Atibaia, operado pelo INPE, e participação em projetos internacionais. No entanto, a infraestrutura é modesta comparada ao FAST chinês ou a instalações europeias e americanas.
Astrônomos brasileiros participam de projetos como o Giant Magellan Telescope (GMT) e o BINGO (Baryon Acoustic Oscillations from Integrated Neutral Gas Observations), radiotelescópio em construção na Paraíba que mapeará hidrogênio neutro. A astronomia brasileira é ativa mas subfinanciada.
Lições para o Brasil
O FAST demonstra que investimentos em megainfraestruturas científicas geram retornos em descobertas, formação de talentos e prestígio internacional. O Brasil, com céus escuros no Nordeste e localização no hemisfério sul (que oferece visão complementar do céu), tem potencial para instalações astronômicas competitivas.
O projeto BINGO é um passo na direção certa: um radiotelescópio brasileiro de classe mundial, focado em questões científicas fundamentais. O Brasil deveria garantir financiamento estável para o BINGO e considerar parcerias com a China para uso do FAST por astrônomos brasileiros.
Perguntas Frequentes (FAQ)
O FAST é o maior telescópio do mundo?
É o maior radiotelescópio de abertura preenchida do mundo, com 500 metros de diâmetro. É 2,5 vezes mais sensível que o antigo Arecibo. Para telescópios ópticos, o título pertence ao ELT europeu em construção no Chile.
O que o FAST descobriu?
Mais de 900 pulsares, rajadas rápidas de rádio (FRBs), e mapas detalhados de hidrogênio neutro intergaláctico. O FAST também participa da busca por sinais de inteligência extraterrestre (SETI).
O FAST pode detectar alienígenas?
O FAST participa do programa SETI e é sensível o suficiente para detectar sinais de rádio de civilizações tecnológicas em estrelas próximas. Até agora, nenhum sinal artificial foi confirmado.
O Brasil tem radiotelescópios?
Sim, o Rádio Observatório de Itapetinga (INPE) e o projeto BINGO em construção na Paraíba. A infraestrutura é modesta comparada à chinesa, mas a astronomia brasileira é internacionalmente ativa.
Quanto custou o FAST?
Aproximadamente 1,2 bilhão de yuans (US$ 180 milhões). A construção levou cinco anos em uma depressão natural de calcário em Guizhou, que oferecia topografia ideal e isolamento de interferência de rádio.